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Produção de Gramas: INTRODUÇÃO Há séculos as gramíneas têm estado presentes na paisagem. Na verdade, muitas das espécies utilizadas hoje nos gramados se desenvolveram em padarias e pastagens, onde eram pisoteadas e serviam de alimento para ovelhas e o gado. Naturalmente, sob estas condições, só sobreviviam as espécies que eram tão vigorosas, que conseguiam se refazer rapidamente das constantes “podas” patrocinadas pelos animais. Foram, portanto, as descendentes destas gramíneas, de porte baixo, que se adaptaram a tolerar os aparadores de grama, como se fossem animais a pastar, que deram origem ás que são usadas hoje nos gramados. Aparentemente, foi durante a Idade Média que as gramíneas aparadas tornaram-se populares para uso em jardins, áreas de piquenique e espaços esportivos. A bem da verdade, no principio eram intensamente pisoteadas para serem mantidas baixas. Só mais tarde é que se descobriu que a foice podia ser usada essa finalidade, com a vantagem de permitir uma maior uniformidade. Os gramados atuais estão bem longe de seus antecessores dos tempos medievais. Hoje eles são densos e uniformemente compostos, resistentes ás pragas e doenças, tolerantes a altas e baixas temperaturas e até conseguem competir e ganhar a briga contra as ervas daninhas e outras pragas. Tudo isso é fruto de uma serie de pesquisas, levadas a cabo sobretudo nos países de Primeiro Mundo, em busca do desenvolvimento de híbridos e novas variedades especiais. Algumas altamente sofisticadas e para usos muito específicos como, por exemplos, as gramas para “greens” dos campos de golfe. Por parte do poder publico, algumas pesquisas estão por conta do Departamento de Biologia Vegetal, da Universidade Federal de Viçosa, localizada no Estado de Minas Gerais, que tem desenvolvido uma serie de estudos com respeito as gramíneas. Por parte a iniciativa privada, as pesquisas de ponta têm ficado por conta de empresas especializadas que buscam tecnologia nesse segmento. A par disso tudo, é cada vez mais intenso o comercio de gramas no mundo inteiro, seja através de sementes, placas e tapetes. Seja como for, para alguns, o gramado é uma agradável composição para uma paisagem, seja ela doméstica ou não. Ele se vincula ás flores, ás árvores e aos arbustos que o rodeiam, compondo uma espécie de pano de fundo que integra o conjunto. De fato, as cores das flores parecem mais vivas quando circundadas pelo verde de um gramado, que tem a propriedade de “clarear” e abrandar os espaços entre as árvores e arbustos de um jardim. Outros imaginam o gramado como uma sala de visitas ao ar livre. Um lugar para as brincadeiras das crianças, piqueniques da família, banhos de sol, leitura e até como um tapete macio, para gostosos cochilos à sombra de uma árvore, além do seu uso para a prática dos mais variados tipos de esportes. Quem sabe é a sua cor pacificamente, ou a textura uniforme, que conduz as pessoas a terem uma atração espacial por eles? De uma forma ou de outra, isso só será verdade se eles se apresentarem uniformes e verdinhos. Gramados mal-cuidados são um quadro triste de se olhar. Passam imediatamente uma sensação de desmazelo e abandono. Felizmente, existem técnicas especiais para se produzir e manter um gramado em boas condições.
CLIMA E PREPARAÇÃO DE SOLO De um modo geral, as gramíneas precisam de luz solar direta. Algumas variedades precisam de mais luz e outras de menos. Se a atividade fotossintética é baixa, a planta armazenada pouca energia, assim, fabrica menos alimento, fica mais fraca e não consegue se desenvolver e muito menos se reproduzir. Resumindo, se a luz não for adequada, a grama não desenvolverá todo seu potencial. A água é fundamental para o sucesso deste empreendimento, sendo o ideal um total de 1.800 mm de chuvas bem distribuídas ao longo do ano. Caso chova poucos em sua região, isto pode ser compensado com a instalação de um bom sistema de irrigação, que completará a necessidade de grama por água. As características do solo a ser utilizado para o plantio da grama não devem ser esquecidas. O sucesso do gramado vai depender basicamente do preparo do solo. Solos rasos, compactados, com muitas pedras, não permitem a expansão das raízes, afetando a absorção de nutrientes e tornando as plantas mais susceptíveis á seca. Nada menos que 1.000 pés de grama convivem em cada metro quadrado de um gramado. E ao contrario de outras culturas, onde o solo pode ser revolvido, corrigido e enriquecido tantas vezes quantas forem necessárias, num gramado, depois de fechado, dificilmente se tem novamente acesso à terra. Por conseguinte, na maioria das vezes, as raízes das gramíneas terão de conviver com o solo que lhe for destinado quando plantio definitivo. Algumas deficiências de nutrientes podem ser corrigidas após a implantação. No entanto, outros problemas, como os de textura do solo, por exemplo, são de solução posterior muito difícil e, sobretudo, cara. Daí valer a pena, antes de qualquer iniciativa, fazer uma análise cuidadosa do solo. O esforço despendido no bom preparo do solo, será compensado por um gramado que permanecerá bonito e saudável por anos a fio. E isto vale para qualquer gramado, seja ele plantado a partir de sementes, mudas, placas ou tapetes de grama. Para um bom desenvolvimento dos gramados , é necessário que haja circulação de ar no solo, água suficiente, mas não exagerada e suplemente suprido de nutrientes. Então, o solo ideal para os gramados é o areno-argiloso, convenientemente suprido de nutrientes. Solos argilosos podem ser utilizados, desde que o regime de chuvas seja adequado. Com já foi mencionado, os solos devem ser sem impedimentos; profundo, com, no mínimo, 1 metro; bem drenados; suficientemente úmidos e férteis. Os mal drenados favorecem o ataque de microorganismo que podem causar doenças nas raízes das gramas. Se o terreno for inclinado, é conveniente, antes de iniciar o preparo, estudar a forma ideal de controle de erosão, como plantio em curva de nível. Para a realização da analise de controle do solo, deve-se retirar amostras do terreno onde o gramado será implantado menos a três a seis messes antes do plantio. A amostra do solo é levada até um laboratório de análise química, que indicara a necessidade de calagem e os teores de nutrientes do terreno. Caso seja necessário, faz-se a correção do solo de acordo com as indicações da análise. Se o solo for pesado, e já foi cultivado, é provável que ele apresente alguma compactação, que irá prejudicar o crescimento das plantas. Se for o caso, faz-se uma subsolagem profunda para romper impedimentos físicos existentes. Se o solo é leve, apresentara boa profundidade e drenagem, basta arar, distribuir o calcário e gradear para incorporação do corretivo. A aração deve ser realizada com o mínimo de 90 dias de antecedência ao plantio e a uma profundidade de 20 a 25 cm. São recomendadas duas gradeações: a primeira, logo após a aração, para incorporação o calendário e, a segunda, pouco antes da marcação das covas, visando eliminar as plantas daninhas e facilitar o trabalho de plantio. Após as gradeações, devem-se realizar o nivelamento do terreno, preenchendo os pontos baixos e aplainando as elevações. Este procedimento tem a finalidade de facilitar o trabalho de colheita da grama. As máquinas construídas e, principalmente, o trabalho são apropriadas para terrenos nivelados.
PROPAGAÇÃO E PLANTIO Propagação por Tapetes
Os tapetes são cultivados com técnicas especiais, que inclui até a retirada deles do solo por meio de máquinas, de forma a terem espessuras iguais e medidas padronizadas. São encontrados em dois tamanhos: 1,25 x 0,40 m, ou seja, meio metro quadrado. Para trabalhar com este método, o terreno deve ser nivelado e levemente umedecido antes do plantio. Os tapetes ou placas são, então, estendidos, alternando-se as juntas para impedir erosão durante as irrigações ou chuvas posteriores. Em áreas inclinadas, o plantio deve ser iniciado no ponto mais baixo do terreno, e as peças instaladas na diagonal, de modo que suas junções formem um ângulo em relação à inclinação, como forma de evitar a erosão. Para dar melhor uniformidade na arrumação dos tapetes, recomenda-se delimitar o local de plantio com barbantes. Feito isso, soca-se bem a área plantada, procurando mantê-la nivelada, preenchendo-se, eventualmente, as juntas com terra seca, para apressar o fechamento, e irriga-se abundantemente o gramado.
O CORTE DO GRAMADO Muitas pessoas não sabem que um gramado aparado, à altura certa e no momento adequado, torna-se mais resistente a ervas daninhas, doenças e pragas. A freqüência com que o gramado necessita ser aparado depende alguns fatores: tipo de grama, época do ano, regime de regas e adubação. A razão é que cada tipo de grama tem uma característica própria de crescimento, com intensidades diferentes, em cada época do ano. A prática comprova que, quanto mais se fertiliza e rega um gramado, mais freqüentemente ele precisará ser aparado. E que, quando a grama é aparada de maneira adequada e na altura recomendada, as raízes crescem mais profundamente e os gramadas ficam mais bonitos e saudáveis. Algumas variedades, como a São Carlos, sentem demais quando a poda é atrasada, chegando mesmo a ficar amarelada e fraca. Assim, a indicação da hora certa de aparar nos deve ser dada pela altura da grama, dependendo da variedade plantada.
FERTILIZAÇÃO As gramas, como qualquer outra planta, necessitam de nutrientes em qualidade e quantidade corretas para se apresentarem com sua plena exuberância. Dos 17 elementos essenciais às plantas, o nitrogênio, o fósforo e o potássio são os mais importantes. Os gramados, de modo geral, requerem por metro quadrado, por ano, as seguintes quantidades em gramas: N: 10g/m²/ano; P: 9g/m²/ano e K: 3g/m²/ano
AERIFICAÇÃO DO SOLO Quando chega o verão, com ele vem o calor, a umidade e o foto período, ou seja, dias mais longos, propiciando um maior vigor, recuperação e crescimento da grama. Assim, deve-se aproveitar para executar a aerificação do solo. Este trabalho é indicado para qualquer tipo de gramado, principalmente os esportivos, como golfe, futebol, pólo e outros. Com o passar do tempo, em função do tráfego de máquinas, pessoas e animais, a tendência é haver uma compactação do solo, principalmente daqueles de textura mais argilosa, ocasionando alguns prejuízos ao desenvolvimento da grama. Para realizar o trabalho de aerificação , deve-se dispor de ferramentas adequadas. O intuito é perfurar o solo o mais profundo possível, fazendo com que se abra espaços para o melhor desenvolvimento das raízes. A aerificação do gramado, com furos profundos, melhora significativamente problemas da compactação e drenagem. Existem máquinas construídas especialmente para este tipo de trabalho, mas são, todas elas, importadas. No caso de ferramenta manual, um simples garfo de quatro a cinco dentes, feito com vergalhão de meia polegada, pode ser usado.
O CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS As plantas daninhas interferem no desenvolvimento da grama, causando prejuízos na produção. Competem com a cultura por água, luz e nutrientes, exercendo, em certas vezes, inibição química. As práticas mais difundidas para o controle das plantas daninhas são: arranquio, a capina, a roçada e, por fim, o controle químico. O controle químico consegue matar apenas alguns tipos de plantas, exercendo uma seletividade, não causando danos à cultura principal. Esses produtos são denominados herbicidas. Os produtos químicos podem ser aplicados usando-se conjuntos especiais de pulverização, que pode ser em barras, ou então, equipamentos individuais, com bicos pulverizadores, acoplados em tratores, ou ainda, o pulverizador costal manual, bastante conhecidos de todos.
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